A saborosa mesa de Callas: Um tributo gastronômico à grande diva da ópera

Ronnie Von e Esther Rocha no programa Todo SeuEste post é um convite: Sente-se numa poltrona confortável, relaxe e deixe de lado os problemas, entre no seu Spotfy (ou qualquer outro web player) e digite Maria Callas e escolha um playlist do tipo Greatest Hits. Click no play e vamos nessa. Vamos falar sobre comida, e também sobre paixão, beleza, sucesso, glamur. Tudo isso ao som de Norma, Madame Butterfly, Violetta, Casta Diva (minha preferida).

Confesso que nunca fui grande conhecedora de ópera. Por incrível que pareça, foi a comida quem me apresentou esse universo de uma maneira muito especial, me levando por caminhos incríveis.

Maria Callas entrou no meu coração graças a um belo prato de Ostras à Casanova que encontrei sem querer num blog sobre gastronomia e viagens. Essa iguaria afrodisíaca era uma das delícias preferidas do famoso aventureiro e conquistador italiano Giacomo Casanova. Isso mesmo, aquele que viveu lá pelos anos de 1790 e ficou com a fama de ser o maior garanhão de todos os tempos.

Certo dia a soprano descobriu que Onassis gostava de impressionar seus convidados com receitas do tal Casanova. Daí pra frente, ela passou a preparar o prato e servir para o amado durante as viagens que faziam no iate particular do empresário, o Christina. Comecei a imaginar o casal navegando pelas ilhas gregas e degustando o prato em banquetes preparados com paixão, em alto mar. Uau!

Eu estava encantada. Quanto mais lia, mais eu queria saber. A maratona Callas rolou com direito a livros, filmes, conversas, receitas, biografias. É sempre assim, quando embarco numa onda, não tenho limites.

Uma estrela de forno & fogão

Na intimidade Callas cultivou uma paixão bem mais comum, mas não menos glamorosa. Adorava saborear um bom prato e seu hobby era colecionar receitas colhidas pelos quatro cantos do mundo. Era comum vê-la trocando ideias com um maitres ou cozinheiros dos restaurantes famosos por onde passava, sempre tentando descobrir os segredos dos menus que mais lhe encantavam. Adorava recortar receitas publicadas em jornais e revista, colava tudo em cadernos montados com todo o capricho. Também colecionava almanaques culinários e montou uma cobiçada biblioteca gastronômica com inúmeros títulos raros.

Ao contrário do que ocorreu com grande parte de seu patrimônio, que acabou desmembrado e vendido para colecionadores e leiloeiros, sua biblioteca com livros de culinária permanece intacta. Os livros da cantora foram protegidos por sua governanta, uma italiana nascida em Verona que esteve ao seu lado até o último momento.

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Vida curta e intensa

Em cena ela soltava sua voz única e cortante para dar vida a heroínas trágicas, dramáticas e exageradamente apaixonadas. Seu talento era joia rara e ela teve o mundo da ópera aos seus pés.

A mídia muitas vezes a definiu como excêntrica, temperamental e inatingível. O primeiro marido, Giovanni Batista Meneghini, dizia que era “obsessiva pelas panelas”. Onassis, seu grande e único amor, muitas vezes a definiu como descontrolada.

Nascida em Nova York, Maria Anna Sofia Cecilia Kalogeropoulo tinha sangue grego correndo nas veias, e seu coração pulsava num compasso dramático, como se fosse uma ária de Rossini. A infância não lhe rendeu boas lembranças. A mãe insensível e agressiva, nunca gostou dessa filha caçula, pois sempre sonhou ter um menino. Quando soube que havia dado à luz uma menina, ela simplesmente se recusou a conhecer a criança e demorou quatro dias para olhar nos olhos da criança recém nascida.

Começou a cantar ainda bem pequena, e aos 13 anos viajou para Atenas para estudar com a famosa soprano Elvira de Hidalgo. Em 1947, conseguiu seu primeiro grande papel e interpretou La Gioconda em Verona, Itália.

Sua ascensão foi rápida e os palcos de todo o mundo se renderam ao talento único da jovem soprano.

A paixão avassaladora por Aristóteles Onassis representou sua ruina. Depois de largar a carreira para viver o grande amor pelo armador grego, saboreou o desprezo e a traição. Foi trocada por Jacqueline Kennedy, com quem ele se casou em outubro de 1968.

Solitária e deprimida, passou a viver trancada em seu apartamento em Paris. A voz que lhe rendeu a fama, já amargava sinais de desgaste. Continuou gravando novos álbuns, deu aulas na famosa Julliard School de Nova Iorque e isolou-se dos eventos sociais e até do convívio dos amigos.

Callas morreu sozinha, em seu apartamento de Paris, no dia 16 de setembro de 1977. Os médicos atestaram que ela foi vítima de um infarto fulminante. Quando o cortejo levando seu corpo percorreu a rua Georges Bizet, onde vivei, centenas de admiradores se despediram da estrela aplaudindo e repetindo a saudação que ela tanto adorava ouvir ao deixar o palcos após uma apresentação: “Bravo Callas!, Bravo Maria!”. Dois anos depois, na primavera de 1979, suas cinzas foram lançadas no Mar Egeu. Seu túmulo permanece no famoso cemitério Père Lachaise, em Paris.

Passados 38 anos, sua voz continua levando seus ouvintes por uma viagem com caminhos emocionantes, passionais e sofridos. Sua história já foi contada várias vezes nos palcos, cinemas, televisão e livros, e mesmo assim continua inspirando novas versões.

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Mesa Posta

Chegou a hora de descobrir os sabores que encantaram Callas, e os amigos e parceiros Rosny e André (Phiroza Gastronomia) chegaram para me ajudar a dar vida à tudo aquilo que eu acabara de descobrir. Seguiram-se vários encontros, conversas, novas receitas, aperitivos, degustações, vinhos, tudo guiado por uma trilha sonora na voz de La Divina.

Assim que nasceu o Menu Callas, experiência gastronômica que recria alguns de seus pratos preferidos. Depois de testado e aprovado, convidei Ronnie Von para provar nossa criação, em primeira mão, durante o seu programa Todo Seu (TV Gazeta). Ele entende do assunto como ninguém, é amigo, é querido e se encanta com nossas ideias.

O Menu Callas

Crostini Callas alla Puccini

Polenta La Divina ao ragu de pato

Fragole dolce & Zabaglione di Maria – Un regalo dolce per il mio amore greco

Mais sobre Callas:

Livro:
A Paixão Secreta de Maria Callas, escrito por Bruno Tosi, jornalista italiano, empresário cultural, crítico de música e presidente da Associação Maria Callas de Veneza.

Filme: Callas Forever (2002) – Dirigido por Franco Zeffirelli, que misturou realidade e fantasia para narrar os últimos dias de vida da grande diva da ópera. Amigo pessoal da estrela, o diretor imaginou um outro fim para Callas que, convidada para uma última apresentação em público, conseguiu se livrar das sombras que a levaram a morrer num exílio voluntário.

Minissérie Callas e Onassis – Minissérie feita em co-produção francesa e italiana e dirigida por Giorgio Capitani. Um relato da relação da cantora lírica com o milionário grego, Aristóteles Onassis.

“Cozinhar bem é como criar. Quem gosta de cozinhar, também gosta de inventar”, Maria Callas

Vamos Falar de Comida conta com a consultoria de Phiroza Gastronomia

Agradecimentos: Atelier Hidekohonma Fotos: Lê Taccilo

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