Gulab Jamun: um docinho sagrado e transcendental

Gulab Jamun

Srila Prabhupada foi um líder religioso indiano, fundador da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna, comumente conhecida como Movimento Hare Krishna. Autor de mais de 40 volumes de tradução e esclarecimentos sobre a filosofia indiana, ele dedicou sua vida a ensinar o mundo sobre a consciência de Krishna, a mensagem de sabedoria espiritual mais nobre da Índia antiga.

Em suas obras encontramos inúmeras explicações das escrituras em sua essência. Em 1965, Srila Prabhupada, na época com 69 anos, viajou da Índia até Nova York, disposto a espalhar a mensagem do Senhor Krishna (o Deus para os indianos). Sua mensagem encantou à quem buscava uma vida com sentido mais profundo, menos material. Foi nessa época que conheceu e encantou os Beatles, em especial George Harrison que viveu o resto de sua vida como um devoto praticante e grande apoiador do movimento.

Mas vamos aqui falar da comida sagrada da Índia. Em seus livros, Srila Prabhupada descreveu o significado transcendental da prasadam (comida sagrada). Ele esclarece o que é comida preparada com devoção e oferecida a Krishna e ensina que essa comida tem o poder de imunizar o devoto da contaminação da natureza material. Trata-se de um néctar que brota dos lábios do Senhor Krishna.

Em sua tradução do Sri Chaitanya-charitamrita – principal escritura sobre a vida e ensinamentos de Sri Caitanya Mahaprabhu, a encarnação de Krishna que apareceu na Índia há quinhentos anos – Srila Prabhupada escreve: “O movimento de consciência de Krishna aprova vigorosamente essa prática de preparar comida, oferecendo-a à Deidade e distribuindo-a à população em geral. Esta atividade deve ser ampliada universalmente para parar os hábitos alimentares pecaminosos, bem como outros comportamentos que representam apenas demônios. Uma civilização demoníaca nunca trará paz para o mundo […] Quando as pessoas comem somente prasadam oferecida à Deidade, todos os demônios serão transformados em Vaishnavas […] É então e só que uma condição pacífica pode prevalecer na sociedade.”

Muitos podem considerar esses preceitos como algo distante de nossa cultura, mas a verdade é que podemos praticar essa postura em todas as atitudes de nossas vidas, inclusive no ato de cozinhar. Um detalhe importante é que essa comida abençoada deve ser comida com respeito, por isso os indianos usam o termo honrar a prasadam.

Srila Prabhupada distribui prasadan entre os devotos

Srila Prabhupada distribui prasadan entre os devotos

Conto esta história para falar de um docinho delicioso, muito famoso em toda Índia, chamado Gulab Jamun. As histórias de devoção me encantam por tratar das coisas mais simples usando respeito, fé e, arrisco dizer, uma deliciosa inocência transcendental.

Conta-se que nos primeiros dias após a criação da ISKCON, Srila Prabhupada preparava e distribuía, aos domingos, algo que chamava de “banquete do amor”. Ele segurava um grande pote de gulab jamuns e oferecia para qualquer um de seus filhos espirituais. Esses doces tornaram-se conhecidos como “balas ISKCON”.

Outra passagem conta que, certa vez, Prabhupada colocou um gulabjamun em sua boca e exclamou: “Nós estamos comendo nosso caminho de volta para Deus!”.

O alimento oferecido nos templos da Índia é preparado seguindo o mesmo protocolo estabelecido nas escrituras. O cozinheiro não prova a comida, pois ele não pode desfrutar desse sabor antes de Deus. Quando o prato fica pronto, ele é colocado em uma bandeja e levado ao altar, onde um devoto oferece o alimento e, em seguida, retorna com ele para a panela. Assim, toda aquela preparação estará abençoada e essa benção é transmitida ao devoto.

Prabhupada dizia que consumir essa comida é como “comer o nosso caminho pra casa”, ou seja, para o mundo espiritual. Isso tudo me encanta pois encaro essa devoção como sementes que foram plantadas há milênios e, até os dias de hoje, seus frutos são colhidos e distribuídos com fartura. Assim como Jesus viveu e pregou a caridade e o amor ao próximo, nas escrituras sagradas da Índia encontramos as mesmas referencias. Acredito que seja o amor passando de geração à geração, atravessando continentes e germinando no coração daqueles que têm fé sincera em seus corações.

Antes da receita do Gulab Jamun, deixo aqui este mantra, cantado antes das refeições. Aprendi essa canção convivendo com amigos muito especiais e me sinto feliz em passa-la adiante, pois representa momentos incríveis que vivi.

Sarira Avidya-Jal* ISKCON: Sociedade Internacional para Consciência de Krishna

Abaixo as fotos do passo a passo para fazer um delicioso Gulab Jamun, e na sequencia a receita!

E agora a receita!

Receita de Gulab Jamun, doce indiano com sabor de devoção

Um bolinho de leite em pó com calda de flor de laranjeira e cardamomo. Assim é feito o Gulab Jamun e a receita está aqui!

INGREDIENTES

  • 200 g Açúcar refinado
  • 10 g Manteiga integral sem sal: 10 gramas
  • 5 g Fermento químico em pó:
  • 10 g Farinha de trigo
  • 220 g Leite em pó integral e instantâneo
  • Ingredientes para os bolinhos
  • 10 mL Água de flor de laranjeira
  • 10 UN Cardamomo em grãos
  • 500 mL Água
  • 500 mL Óleo de soja

MODO DE PREPARO

  1. <b>Para a calda</b>
  2. Colocar a água, as sementes e o açúcar em uma panela, levar ao fogo e preparar uma calda
  3. leve. Retirar do fogo e, após amornar, misturar a água de flor de laranjeira.
  4. <b>Para os bolinhos</b>
  5. 1. Em um bowl juntar o leite em pó a farinha, o fermento e a manteiga.
  6. 2. Misturar tudo e adicionar água para dar liga.
  7. 3. Com a massa obtida fazer bolinhas do tamanho de bolas de gude.
  8. 4. Fritar em óleo a 160º C em fogo baixo até dourar.
  9. 5. Retirar as bolinhas, escorrer o excesso de óleo e colocá-las na calda já fora do fogo.
  10. 6. Mantê-las abafadas e em imersão até absorverem bem a calda e inchar.
  11. 7. Servir em seguida. Conservar refrigerado.

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