Qual é o lugar que a comida ocupa em seu coração?

Uma noite de pasta típica italiana, com chitarra e tudo

Você já parou pra pensar nisso? Eu tenho refletido bastante e a conclusão é que ela pulsa forte. Cozinhar me faz feliz. É a melhor maneira que tenho de expressar meus mais ternos sentimentos. Quando cozinho para um amigo, sinto que estou dizendo “eu te amo” da maneira mais terna e sincera possível.

Dia desses encontrei uma entrevista antiga onde Pedro Almodóvar conversava com uma apresentadora de televisão sobre as cenas de comida em seus filmes. Ele disse: “em todos os meus filmes faço uma cena importante na cozinha. É um dos lugares mais íntimos da casa. Em uma cozinha não se pode mentir”. É exatamente isso. A comida é boa quando temperada com verdade, emoção, sentimento, conhecimento, prazer, entusiasmo, bom gosto e criatividade.

Nos últimos anos tenho me dedicado exaustivamente ao estudo e pratica da gastronomia. Me apaixonei de uma maneira tão intensa (ok, sempre fui intensa ) que é comum eu virar a noite sentada na mesma poltrona, lendo e descobrindo um universo incrível.

Pesquisar sobre o paladar de pessoas notáveis é uma viagem deliciosa. Imagine conhecer a biografia de grandes personagens do cinema, música, literatura e artes em geral, traçando paralelos entre seu jeito de ser e de criar, e seus costumes e preferencias à mesa. Começou como curiosidade e logo se transformou em um hábito cotidiano. Não passo um dia sem descobrir algo novo… e quanto mais aprendo, mais quero ir além.

Comecei a pesquisar esse assunto e, sem perceber, acabei reunindo um banco de dados com mais de 100 casos, e esse número só aumenta. De repente veio a vontade de colocar esses estudos em prática, não bastava estudar os personagens, eu queria produzir os pratos e provar todos os sabores. Assim nasceu a ideia de criar os menus Vamos Falar de Comida – Notáveis.

Desde o início contei com parceiros magníficos, dois chefs de cozinha (meus mestres), uma advogada, um engenheiro, um bancário (e grande fotógrafo) e um publicitário. Um grupo imbatível que todas as quintas-feiras se reúne em minha casa para noitadas gastronômicas que reúnem requinte, aprendizado, amizade, diversão, parceria, cumplicidade e tantas outras coisas boas que não consigo resumir em palavras.

Mais adiante, outras duas pessoas incríveis ouviram e entenderam meu projeto e compraram a ideia com a mesma paixão. O primeiro foi Ronnie Von, um amigo querido que sabe comer e beber com o requinte de um príncipe. Depois veio o diretor Nilton Travesso (sim ele mesmo!), que também se encantou com o assunto e me convidou para mostrar um desses menus na televisão (programa Todo Seu, apresentado por Ronnie, dirigido por Nilton (um mestre) e exibido pela TV Gazeta).

Comecei com Frank Sinatra, depois Maria Callas, Claude Monet, Frida Kahlo e mais recentemente Audrey Hepburn. Cinco personagens, cinco menus, cinco experiências gastronômicas recheadas de boa comida, história e memórias íntimas de personagens adoráveis.

Via redes sociais, mostrei na tv o menu Audrey Hepburn, baseado no livro Audrey At Home – Memories of My Mother’s Kitchen, escrito por Luca Dotti, filho da atriz e lançado recentemente nos Estados Unidos, Alemanha, Espanha…

A pesquisa ficou incrível e as releituras dos pratos, sempre elaboradas sob a batuta dos chefs Rosny Gerdes (meu mestre número 1) e André Valobra (meu mestre número 2) ficaram impecáveis. Durante utuite2m mês, nossas noites de quinta-feira aconteceram com sabores, filmes, fotos e o astral da atriz. Comemos, bebemos, relembramos e nos emocionamos com a estrela de Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany’s).

Tudo isso já bastaria, mas a história foi mais além. Graças ao milagre das hashtags, consegui enviar o link do meu blog para Luca Dotti, informando, inclusive, que todos os devidos créditos foram dados ao livro. Pronto, missão cumprida: estudei, degustei, escrevi, produzi, me diverti, mostrei o resultado na tv e tive o prazer de ver o Ronnie se deleitando com nossos pratos. Fim de mais um capítulo? Ainda não.

post3Dois dias após a apresentação e publicação do post, acordo com uma notificação especial em minha conta do Twitter. “A lovely review of #audreyathome in Portuguese by @VFC_site. Thank you!”, escreveu Luca Dotti com direito a retuite na conta oficial da Audrey Hepburn Children’s Fund oficial. O cara viu meu post e agradeceu. Uau! It’s my pleasure, Mr . Dotti.

Pensa que parou por ai? Nã, nã, não… Outros dois dias se passaram e, mais um post, com o link para o vídeo da minha apresentação programa: “Did you know #audreyathome tastes even better in Brazilian?”, escreveu o autor do livro.

Esse tipo de coisa me deixa feliz, muito feliz. O que começou como uma simples paixão, se transformou numa onfraria, depois num blog, virou um projeto de vida, ganhou um quadro na tv e eu ainda quero mais. Pra 2017, vou transformá-lo num livro, quem sabe também um programa na web, eventos com gastronomia/história e por ai vai. Ah, também sonho levar os menus VFC pra serem saboreados num teatro com direito a atores lendo poemas, citando frases, encenando nossas descobertas (essa ideia genial partiu do Nilton Travesso e eu eu me encantei de primeira).

Eu não quero limites para o Vamos falar de Comida!

P.S. 1: Vou torcer para a Harper Collins Brasil lançar Audrey At Home no Brasil. Quero que mais pessoas descubram e se encantem com as memórias dessa deusa do cinema.

P.S.2: Pra quem quer saber melhor quem são meus parceiros no Vamos Falar de Comida, aqui vai a lista com os nomes:

Os dois chefs: Rosny Gerdes e André Valobra
A advogada: Maely Guimarães
O engenheiro: Antonio Gavioli
O bancário que é grande fotógrafo: Vinícios Costa
O publicitário: Tomas Correa (foi ele quem criou o logo do VFC. Um figuraça que some de vez em quando, mas continua sendo sempre amado)

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